No Brasil, o casal José (Pepe) Mujica, o novo presidente do Uruguai, empossado ontem, e a mulher Lucia Topolanski, sua companheira de guerrilha e atual presidente do Senado, poderia sugerir um arranjo familiar no mínimo suspeito, nestes tempos de dinheiro na meia de deputados. Ledo engano. O casal é um exemplo raro de abnegação e desprendimento, além de grande visão administrativa e política, como se vai observar ao longo deste relato.
Política 


O que surpreende na decisão de criar a Celac, Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, sem a participação dos Estados Unidos, ontem (23/02/10), na Cúpula dos 33 Presidentes, em Cancún, para se contrapor à OEA, é que tenha partido do México. Seu presidente, Felipe Calderón, historicamente perfilado como um dos seguidores mais incondicionais de Washington, não só comandou as articulações para a Celac, como brandiu a bandeira de Simón Bolivar, herói esnobado pelos americanistas e neoliberais de todos os quadrantes, para justificar o papel do novo organismo, que pretende distanciar-se o quanto possível da interferência estadunidense.
Depois de ter enfrentado a mídia, com a nova e audaciosa lei do audiovisual, e tirado o futebol da TV paga, levando-o para a TV aberta, onde o cidadão comum poderá ver seus jogos de graça, o governo da Argentina parte agora para uma arrojada reforma política.
